Eu não sou uma pessoa feliz. Isso por si só torna a minha experiência com Colorful distinta de quem nasceu com a benção da felicidade. Mas, apesar desse início melancólico, não espere aqui uma review escrita sob a ótica de um "emo" revoltado. Eu sou apenas uma pessoa que sofre do mal da depressão.
Não escolhi essa condição. Isso é óbvio para a maioria das pessoas, mas cá estou. Fazendo todo esforço possível para convencer o mundo que a minha doença provoca reações no meu comportamento que me impedem de viver uma vida, digamos, "normal". Eu sou, afinal, o somatório de tudo que há de bom e ruim dentro de mim. Essas são particularidades de todo e qualquer indivíduo. Se não fosse por isso, eu poderia julgar e criticar Colorful com os olhos de quem nada sente. Como se eu fosse um indivíduo de opinião neutra e sem personalidade.
Mas isso é impossível de ser verdade. Porque eu sou eu. Eu sou alguém. Uma pessoa repleta de tudo e mais um pouco.
Pois bem, desde já, preciso esclarecer uma coisa: esse texto não é exatamente uma review. Na verdade, minha intenção é descrever a minha experiência emocional que me foi percebida ao acompanhar a obra. Aqui, no caso, temos um filme de animação japonesa chamado Colorful, lançado em agosto de 2010.
Eu vivia outra vida em 2010. Sem dúvida, eu era uma pessoa mais alegre e otimista. Hoje, nos meus momentos mais tristes, me vejo como um somatório de retalhos que tentam se costurar conformes novos furos vão surgindo. Mas eu ainda sou alguém. Colorful, em algumas partes, reitera essa ideia. Você é você. Eu sou eu. Nós somos nós.
No filme, o personagem parte em busca de algo que todos nós no mundo real buscamos: uma razão. Razão para existir, para habitar, para partir. O ser humano não é estático. Ele é incapaz de permanecer inerte sem procurar por algo. Somos o desejo indomável de alcançar o que parece inalcançável. E até mesmo pessoas depressivas são assim. Elas apenas não perceberam esse precioso aspecto que compõe sua preciosa existência.
Colorful faz o questionamento, comum em vários filmes, a respeito do significado da vida e o porquê de continuar no plano terreno. Ora, no mundo real encontramos diversas respostas para essa pergunta. A maioria busca constatações concretas e coisificadas. Claro, até mesmo essas tem seu valor. Mas o subjetivo, aquilo que não se toca, mas se sente, também é importante. Colorful mira no subjetivo. Naquilo que beira a imaginação e domina o subterrâneo do nosso cérebro.
Não quero oferecer spoiler, e nem vou. Mas preciso dizer que a experiência de assistir Colorful fará você perceber alguns aspectos importantes da nossa jornada no plano terreno. Um desses aspectos é que a vida é sobre pessoas.
Meu nome é Rodrigo Mamud.
Obrigado por ler esse texto.

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