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Koe no Katachi reproduz um alerta feito há tempos, mas que ignoramos

 



    Bullying é uma realidade. Essa prática cruel não está no imaginário apenas, ela contece concretamente todos os dias. Quem já foi vítima do bullying ou já praticou bullying sabe o quão rotineira é a relação de dominante e dominado que se estabelece entre o agressor e a vítima. Note, num dado momento, a condição de dominação se torna algo natural para ambos os lados. Se antes o problema já era enorme e urgente, quando acontece essa naturalização a coisa muda de figura e se torna ainda mais grave.

    Bullying não pode ser naturalizado.

    Quando olhamos para o que Koe no Katachi almeja nos dizer, percebemos que há uma jornada de redenção entre o jovem que pratica bullying a fim de se redimir com a vítima. Isso não é spoiler, é a premissa do filme. A partir disso podemos notar vários aspectos dessa violência tão cotidiana e que estão presentes no filme.

    Professores são coniventes com bullying. Não pense você que o licenciado é um anjo salvador que porá fim na agressão promovida pelo praticante de bullying. Ele não está interessado nisso. Isso porque o bullying, tanto o professor quanto qualquer outro indivíduo que participa desse ato de violência naturalizou o ato.

    Não estou aqui tentando dizer que o professor naturalizou por causa disso ou daquilo. Eu sinceramente acho que esse aspecto da discussão exige um estudo aprofundado para que se chegar a uma resposta. Mas é fato que o professor tem um papel importante na manutenção da prática do bullying.

    Apenas para que não fique vago e superficial de mais esse último comentário, me arrisco apontar como um dos motivos para o professor optar por não se intrometer e impedir que o bullying aconteça seja a mentalidade construída e imposta pelo modo de produção capitalista, que molda profissionais focados apenas no cumprimento de seu trabalho, excluindo todas as problemáticas inerentes do cotidiano do fator humano. O bullying não é filho do capitalismo, mas foi apadrinhado por ele.

    Mas seguindo, preciso contar o quão gratificante é ver a jornada do protagonista em tentar se redimir. Junto a ele, nós podemos perceber o raciocínio do arrependido da prática do bullying. Não só isso pode ajudar a fazer os agressores interromperem com essa prática odiosa, mas também despertar nas pessoas que não são vítimas nem agressores a ajudarem as vítimas.

    Toda vítima precisa de ajuda.

    Quando não se recebe ajuda, a vítima se sente descartável. Um barco de papel no meio do oceano. Sozinha, onde só se pode desfrutar de si mesma. Acontece que, se sua autoestima já foi destruída pelo bullying, do que ela desfrutará olhando apenas para si mesma? Essa é a grande armadilha do bullying.   

    Um ato de violência que corrompe quem você é. 

    Não permita que façam isso com as pessoas. Não permita que o mundo siga sendo um lugar cruel para pessoas que possuem tanto potencial. Seja o herói que você acompanha nos animês. E se você assistiu Koe no Katachi e entendeu porque o menino que praticava bullying de repente resolveu se redimir e ajudar as pessoas que sofrem bullying, você entendeu tudo. Seja o herói que nasceu pra ser.

    Meu nome é Rodrigo Mamud.

    Obrigado por ler esse texto.

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