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Mostrando postagens de janeiro, 2021

Steins;Gate: reconhecendo suas capacidades e incapacidades

      O tempo é uma categoria cruel. Eu não sou físico e tão pouco tenho qualquer entendimento da dimensão temporal, então por isso mesmo me dou o direito de me referir ao tempo como eu quiser. Mas pra mim, o tempo é cruel.     O tempo não espera por você. Literalmente, ele apenas corre e você é obrigado a acompanhar. O que você faz durante esse acompanhamento é o que as pessoas vão julgar como sendo um bom proveito do seu tempo ou um desperdício. Mas escolher que o tempo não passe é impossível. Acredito que essa seja a realidade mais cruel do tempo. Você está a mando dele e não pode desobedecê-lo. Certo? Bom, talvez não seja bem assim.      Em Steins;Gate, o protagonista cria uma máquina do tempo. Temos ali então uma história onde um indivíduo decide desafiar o tempo. Mas se você assistiu o animê, sabe o tanto de desastre que resulta das ações do protagonista. Não acho que isso seja spoiler. Essa é a premissa básica de toda história que mexe com ...

Digimon Adventure mostrou que as pessoas são diferentes e que isso é incrível

      Todo indivíduo é único. Ter defeitos e qualidades é o que nos torna humanos, e são essas nossas mais preciosas particularidades. Não se pode apreciar alguém só pelos seus méritos. As derrotas também existem e são prova de que a pessoa tentou. Ela depositou energia em algo e merece que isso seja reconhecido. Força de vontade, medo, otimismo, gentileza, insegurança e todas características que podem compor a personalidade de um indivíduo vêm em dosagens diferentes em cada um de nós. Alguma pessoas são mais aptas a falar em público, outras são mais tímidas. Isso é incrível e é importante que lidemos com isso. Aliás, mais que lidar, é importante apreciar.     Em Digimon Adventure vemos um grupo de crianças completamente diferentes que foram jogadas em um mundo estranho e precisam se ajudar para sobreviver. Elas criam laços de amizades com seus parceiros digimons, mas não vou me ater a isso. O ponto central desse texto é a valorização das diferenças.   ...

Naruto e o ódio

      Naruto é o animê da minha vida. Comecei a assistir quando criança e me deixou marcas que jamais se apagarão. Com o tempo, para além das lutas muito bem feitas, fui percebendo a diversidade de temas que a trama aborda. Ódio é um desses temas.     É impossível alguém nunca ter odiado alguém. Ao menos, é o que eu acho. Houve algum momento da sua vida que você sentiu ódio genuíno. Aquele ódio que lhe faz desejar mal a pessoa em questão. Não se trata, nesse caso, de um mero desprezo. Mas uma vontade de assistir a pessoa passando por adversidades simplesmente porque você a odeia.     Mas o ódio não fará mal apenas a ela. Naruto tenta abordar exatamente isso.     Quando se assiste Naruto, logo se dá conta da existência de um ciclo do ódio. A pessoa A odeia a pessoa B, a pessoa B ataca a pessoa A, e o ciclo nunca tem fim. Na trama, o ódio, inclusive, vai sendo passado de geração em geração. Dessa forma, podemos encarar o ódio como uma ferida qu...

Sangatsu no Lion e a importância do ser depressivo

     Desistir do que lhe dá prazer quase sempre é mal sintoma. Pessoas depressivas tem esse costume e é realmente muito triste. Quem assistir sangatsu poderá se identificar em vários aspectos com o protagonista, entre eles, a perda do prazer de viver.      Em Sangatsu, o protagonista se mostra uma pessoa de temperamento morno, e digamos, passivo. Como se ele apenas reagisse ao mundo ao seu redor.      Eu, devo dizer, vivencio momentos assim constantemente. Me sentindo desconectado do mundo. Como se as coisas ao meu redor apenas acontecessem e eu fosse um mero personagem coadjuvante.      Machuca não se sentir protagonista da própria história.      Sangatsu traz um pouco disso quando aborda questões familiares. Mas como não é do perfil desse blog tecer reviews sobre os animes, tão pouco dar spoiler, me resguardo o direito de dizer apenas que o protagonista sente que ele está ocupando um lugar que não é dele. ...

Hai to Gensou no Grimgar, uma experiência sobre amizade

      Hai to Gensou no Grimgar, comumente chamado de Grimgar, é um anime sobre companheirismo e amizade. Coisas que fazem parte da vida humana mas que raramente paramos pra pensar no seus significados mais complexos.     A minha experiência assistindo Grimgar me trouxe uma sensação prazerosa num momento de profunda tristeza e desilusão que eu estava vivendo. No momento que escrevo esse texto, minha tristeza é ainda maior. Talvez por isso eu recorra a escrever sobre o mesmo anime que outrora me resgatou do fundo de um poço.     Eu não sei bem descrever qual o real papel da amizade e até onde vai a sua alçada. Veja, o amigo deve ser leal a você? Eu creio que sim. Mas o que é ser leal? Qualquer resposta que se chegue a essa pergunta não abre margem para interpretar que talvez o amigo tenha obrigações com você? Se sim, isso é bom ou ruim?     Eu penso que depende.     Liberdade total não existe. Por isso nós temos sim obrigações para co...

Koe no Katachi reproduz um alerta feito há tempos, mas que ignoramos

      Bullying é uma realidade. Essa prática cruel não está no imaginário apenas, ela contece concretamente todos os dias. Quem já foi vítima do bullying ou já praticou bullying sabe o quão rotineira é a relação de dominante e dominado que se estabelece entre o agressor e a vítima. Note, num dado momento, a condição de dominação se torna algo natural para ambos os lados. Se antes o problema já era enorme e urgente, quando acontece essa naturalização a coisa muda de figura e se torna ainda mais grave.     Bullying não pode ser naturalizado.     Quando olhamos para o que Koe no Katachi almeja nos dizer, percebemos que há uma jornada de redenção entre o jovem que pratica bullying a fim de se redimir com a vítima. Isso não é spoiler, é a premissa do filme. A partir disso podemos notar vários aspectos dessa violência tão cotidiana e que estão presentes no filme.     Professores são coniventes com bullying. Não pense você que o licenciado é um anjo...

Haikyuu, um alçar voo sem sair do chão

    Seres humanos não são invencíveis. Eles quebram e sentem muita dor. Quase sempre, passar pela experiência de ver seu sonhos ruirem de frente pra você provoca uma dor imensurável que te faz perder o chão. Sem o chão, o ser humano não anda. Por isso o protagonista de Haikyuu decidiu fazer diferente.            Ele voou.      Quando se bate asas em meio a adversidades, os que ficam embaixo se surpreendem não por inveja, mas por acharem que eles também podem. E podem sim. Note, voar não é uma aventura que se inicia rumo a lugar algum. Voar é ir de encontro ao que você quer que seja seu. Seu ar pra respirar. Sua felicidade.          Em Haikyuu, o protagonista é um jovem jogador de vôlei. Ele quer ser o melhor no esporte, tanto quanto o seu maior ídolo. Mas o nosso protagonista enfrenta um "pequeno" problema que dificulta sua trajetória rumo ao topo. Ele é um adolescente muito baixinho.     É cu...

No.6 descreve muita coisa, mas em quase nada você precisa prestar atenção

      Eu adorei esse animê. Tocou meu coração de um jeito que eu não esperava, e talvez por isso eu tenha dado esse título para esse texto. No.6 é um animê que aborda uma riqueza de temas, mas isso não importa dentro da trama. O foco não é a diversidade de temas. O que importa é o amor.     O amor é a sustentação máxima da relação humana. É o que te imprime dentro do outro e te faz ver pelos olhos dele. Sem o amor, qual a razão para se relacionar? Veja, tanto na amizade quanto no amor romântico, o amor é importante para que se possa entender a dor do outro. Por isso No.6 existe.     Nesse anime, vemos dois personagens entendendo um ao outro. Eles são pessoas diferentes. Com personalidades diferentes. Mas o amor os conecta e faz com que eles possam superar a barreira comumente imposta pelo capitalismo, que objetifica as relações humanas e faz com que os indivíduos precisem realizar esforços colossais para alcançar o âmago do outro.     Mas o a...

Colorful é uma tentativa de sobrevida

      Eu não sou uma pessoa feliz. Isso por si só torna a minha experiência com Colorful distinta de quem nasceu com a benção da felicidade. Mas, apesar desse início melancólico, não espere aqui uma review escrita sob a ótica de um "emo" revoltado. Eu sou apenas uma pessoa que sofre do mal da depressão.     Não escolhi essa condição. Isso é óbvio para a maioria das pessoas, mas cá estou. Fazendo todo esforço possível para convencer o mundo que a minha doença provoca reações no meu comportamento que me impedem de viver uma vida, digamos, "normal". Eu sou, afinal, o somatório de tudo que há de bom e ruim dentro de mim. Essas são particularidades de todo e qualquer indivíduo. Se não fosse por isso, eu poderia julgar e criticar Colorful com os olhos de quem nada sente. Como se eu fosse um indivíduo de opinião neutra e sem personalidade.     Mas isso é impossível de ser verdade. Porque eu sou eu. Eu sou alguém. Uma pessoa repleta de tudo e mais um pouco. ...